William S. Burroughs
Ensaísta, romancista, contista e poeta norte-americano, William Seward Burroughs nasceu a 2 de fevereiro de 1914, em St. Louis, no Estado de Montana, no seio de uma família muito rica: a do inventor da conhecida máquina de calcular Burroughs. Posteriormente, o escritor diria a respeito do avô e de sua fortuna: “Ele não inventou exatamente a máquina de somar, mas a coisa que a faz trabalhar, isto é, um cilindro cheio de óleo e um pistão perfurado, que sempre se move para cima e para baixo na mesma velocidade. Um princípio muito simples, como muitas invenções. E deu-me um pouco de dinheiro, não muito, mas um pouco”.
Depois de formar-se na aristocrática Universidade de Harvard, em 1936, Burroughs passou um tempo na Europa, sobretudo em Veneza, onde estudou medicina durante um ano. Logo depois, não se sabe bem por que razões, começou a levar uma vida totalmente desregrada, tornando-se viciado em drogas e ligando-se ao submundo do crime. Segundo o próprio autor, a droga entrou em sua vida por acaso: “Eu estava apenas entediado. Não tinha muito interesse em tornar-me um bem-sucedido executivo de publicidade, ou qualquer outra coisa, ou ter o tipo de vida que a Harvard planeja”. O clímax desse processo de negação da respeitabilidade deu-se em 1951, quando matou acidentalmente a própria esposa, numa brincadeira de Guilherme Tell. Vieram então os longos anos de exílio, em Tânger (norte da África), onde viveu num bordel masculino, na América do Sul, onde esteve à procura da droga yage, em Paris, onde concluiu, em 1959, o romance Naked Lunch (Almoço Nú), e em Londres, onde abandonou as drogas e se estabeleceu definitivamente.
A atividade literária do autor começou sem uma motivação mais profunda, segundo suas próprias palavras: “Eu não me sentia compelido. Não tinha nada para fazer. Escrever dava-me algo para fazer cada dia”. Sua primeira obra (publicada em 1953, sob o pseudônimo de William Lee) intitulava-se Junkie: confessions of an unredeemed drug addict, e narrava suas primeiras experiências com as drogas. Nos anos seguintes, um número significativo de volumes foi surgindo, e o consagrou como um dos mais expressivos representantes da “beat generation”, ao lado de Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Entre seus textos mais importantes, incluem-se, além de Naked Lunch, The soft machine (1961), The ticket that exploded (1962), Nova Express (1962), The wild boys (1971), Exterminator! (1973), The last worlds of Dutch Schultz (1975) e Blade Runner (1979).
Crítico feroz do american way of life, Burroughs escreveu romances e contos nos quais o realismo exasperado se mescla a experiências estilísticas que o aproximam de James Joyce. Seus temas mais constantes são a burocracia estatal, a guerra, o homossexualismo, as drogas, os vícios, a tirania psiquiátrica, tudo visto sob uma ótica sombria. Ele mesmo sintetizou sua obra, declarando que ela é “dirigida contra aqueles que estão determinados, por estupidez ou por desígnio, a fazer explodir o planeta ou torná-lo inabitável. Como o pessoal da publicidade (…) estou interessado na precisa manipulação da palavra e da imagem para criar uma ação, não a de sair para comprar uma Coca-Cola, mas a de criar uma mudança na consciência do leitor”.