LENI RIEFENSTAHL
(1902-2004) Alemã
Uma lenda – obscura –envolve a personalidade de Leni Riefenstahl. Originária da dança, tornou-se atriz dos filmes de montanha de Arnold Fanck, nos quais sua beleza e suas qualidades atléticas fizeram sucesso. Já do lado de lá da câmera, essa personalidade completíssima assinou, baseada num roteiro que ela havia escrito com Béla Balázs, Das Blaue Licht, que ela própria interpretou e produziu. Unida ao nazismo, ganhou as graças de Hitler, que lhe confiou a tarefa de filmar o congresso de Nuremberg em 1934. Não há depoimento mais impressionante do que esse recolhido por Riefenstahl sobre a ascenção do nazismo: paradas gigantescas, cerimônias em que nenhum espaço é deixado à improvisação, discursos de Hitler. Quem podia fechar os olhos depois de ter visto semelhante filme? Com Olympia, o documentário adquiriu uma maior amplitude. Enormes recursos foram colocados à sua disposição: teleobjetivas, carros-guindaste, bem como inúmeros técnicos, dentre os quais Walter Ruttmann. Através da exaltação do corpo humano, as realizações do III Reich, organizador dos Jogos, são levadas às nuvens. Após um giro de propaganda pelos EUA, ela empreendeu um novo filme, Penthésilé, baseado em Kleist; mas as filmagens foram interrompidas pela guerra. Depois da queda do regime nazista, ela foi confinada entre 1945-1948 por ter tomado parte na propaganda nazista. Libertada, tentou retomar sua carreira, desmentindo ter sido amante de Hitler. Depois de apresentar em 1954 Tiefland, faz diversas viagens à África. Morreu em 2004, com 102 anos.