O Cinema Cubano antes dos Anos 60
A grande ilha, habitada por 17 milhões de habitantes, produziu a sua primeira atualidade, Extinção de um Incêndio , em 1897, e realizou os primeiros filmes de ficção em 1908. O verdadeiro início do seu cinema foi a apresentação, no dia 6 de agosto de 1913, do filme de longa metragem Manuel Garcia , dirigido por Enrique Diaz Quesada, e que narrava os feitos de um herói nacional durante a guerra de Independência. O filme foi produzido por Pablo Santos e Jesus Artigas, proprietários do maior circo cubano. Eles continuaram durante a primeira guerra mundial uma produção que parece ter sido orientada para os assuntos “revolucionários” e “sociais” ( La Careta Social, Zafra o Sangre y Azuca, La Manigua o la Mujer Cubana ).
Após 1920, Esteban Ramires e Ramon Peon estrearam. O primeiro dirigiu um filme em episódios: Le Génie du Mal , Face à la Vie e Arroyto , cujo herói pertencia ao folclore camponês. Ramon Peon, cujo primeiro filme foi, em 1920, Realidade , conquistou os maiores êxitos comerciais e foi contratado em 1926 por Richard Harlan como diretor em sua nova produtora, a Panamerican Pictures . A empresa logo enfrentou dias difíceis e a produção baixou para um ou dois filmes por ano no fim do cinema mudo. Peon estabeleceu-se então no México, tornando-se um dos cineastas que mais filmavam naquele período.
Até a guerra, a produção de filmes falados foi insignificante e consistiu sobretudo de filmes de curta metragem dançados e cantados. Em 1939-1940, as Pelliculas Cubanas instalaram estúdios nos quais realizaram uma dezenas de filmes em dois anos. A empresa por sua vez periclitou, e a produção cubana caiu a zero, durante alguns anos. Um talento, entretanto, revelara-se: Manuel Alonso que dirigiu vários filmes interessantes, como Cecília Valdes (1953) e principalmente Casta de Robles (1953) . Vários filmes foram dirigidos em Cuba por mexicanos, entre os quais se deve lembrar Un Golpe de Suerte , encenado por Manuel Altolaguirre (roteirista do filme de Buñuel, Subida al Cielo, 1951 ) e A Rosa Branca (biografia de José Marti, empreendida por subscrição nacional para celebrar o centenário desse revolucionário). O filme, realizado por Emilio Fernandez e fotografado por Figueroa, não parece ter sido um êxito completo.
O conjunto da produção cubana (uns cinquenta filmes no total, entre 1940 e 1957) é medíocre, com cômicos que caçoam dos “galegos” (espanhóis), dos “negritos” (negros), melodramas, insípidas histórias sentimentais com canções da rádio, rumbas para turistas, etc.